Experiência com o sistema de saúde pública aqui na Itália., Na Itália

Experiência com sistema de saúde pública na Itália.

Hoje vou contar pra vocês como foi nossa experiência com a saúde pública aqui na Itália nestes quase 9 meses que estamos aqui.

Antes de mais nada, uma informação importante: independente se a pessoa é turista, residente, tem visto ou está irregular aqui na Itália, todos tem direito ao atendimento público de saúde no pronto socorro!!!

O primeiro que precisou usar foi o Nicollas. Nós já estávamos com a Tessera Sanitária.

Logo depois de recebermos as identidades, já fui até a ULSS para solicitá-las. Na mesma hora vc já escolhe o seu médico de família, como eu não conhecia e não tinha indicação de nenhum, optei pelo mais perto de casa. Já para o Nicollas “pediatra”, só consegui na comune ao lado.

Te dão um documento provisório, caso precise usar antes de chegar as carteirinhas. Quase 1 mês depois, recebemos por correio.

tessera_sanitaria_cns_molise Experiência com sistema de saúde pública na Itália.

No caso de clinico geral, não precisa marcar consulta. É só chegar no consultório, pegar uma senha e aguardar. Já com o Nicollas, se não for emergência, tem que marcar horário. Geralmente vc consegue de uma semana pra outra, e não paga nada!

Pra quem não sabe, Nicollas tem 6 anos e no Brasil já fez 2 Timpanotomias para colocação de tubo de ventilação, e desde novembro de 2018 não se queixava de dor de ouvido. Pois, bem…noite de domingo de carnaval aqui na Itália e ele começa a se queixar de dor, e vcs sabem como é a bendita dor de ouvido!! E agora?? Onde levar?

Em casos de emergência, e se vc não tiver como chegar até o hospital, basta ligar para o número 118 do SSUE (Servizio Sanitario di Urgenza ed Emergenza) que em poucos minutos chegará uma ambulância no local onde você se encontra.

Sim, você leu certo em poucos minutos, pois aqui na Itália existem diversos órgãos de voluntários: cruz vermelha, cruz verde, misericórdia, sem contar a pubblica assistenza – e por este motivo quando pedimos uma ambulância, o 118 envia aquela de um destes órgãos acima que estiver mais próximo do local do acidente ou do imóvel onde a pessoa precisa de soccoro!

Não era o nosso caso chamar uma ambulância, mas fica a dica para caso alguém precise.

Eu não falava tão bem italiano a ponto de ligar pra médica e explicar, tampouco entender “nervosa” o que fazer. Dei novalgina pra ele, que eu trouxe do Brasil (junto com muitos outros remédios) e coloquei uma bolsinha de água quente tb, pra aliviar a dor.

Descobri poucos dias antes que existe a “guarda médica” que é tipo um posto de saúde no Brasil, mas só funciona só a noite. Coloquei ele no carro e nem 5 minutos depois chegamos.

Toquei um interfone e expliquei o que estava acontecendo, ele perguntou se eu tinha ligado antes, disse que não. Não tinha ninguém na sala de espera!! Depois eu soube que antes vc liga, explica o que tá acontecendo e assim ele te passa o que fazer, se vai até a guarda, hospital, ou resolve pelo telefone mesmo.

Eu já sabia que estava infeccionado, sempre que Nicollas começa com dor é assim. Passou um antibiótico pra tomar, e um remédio pra dor. Uns 20 minutos depois saímos de lá.

Não paguei nada pela consulta na Guarda Médica.

Na Itália não tem farmácia 24 horas como no Brasil (pelo menos aqui em Vicenza) e eu digo com as portas abertas e a variedade de coisas que tem no Brasil. Mas tem os farmacêuticos de plantão, se vc precisar de medicamentos a noite vc tem que se informar quais farmácias tem esse serviço, (não são em todas).

Fui até a mais próxima que tem esse serviço, toquei uma campainha e o farmaceutico veio, pegou a receita e voltou com os medicamentos. Paguei € 2,00 (DOIS EUROS!!) pelo antibiótico e outros € 2,00 no remédio pra dor. Quase não acreditei no valor. Lembrando que com a Tessera sanitária, vc paga mais barato no medicamento.

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Muitas delas são neste estilo.

Mês passado foi a vez do Bruno, ele tem 21 anos.

Amanheceu com febre e enjoo. Nada parava no estômago, esperamos até a tarde para consultar com o médico de família. Chegamos lá, pegamos a senha (4 pessoas na frente).

Até que foi rápido, consultou (nem tocou no Bruno, eu que pedi pra ouvir o pulmão dele), disse que estava mal pela mudança de temperatura e que era uma VIROSE. Puxa vida pensei …até aqui essa de virose?? Passou os medicamentos e fomos pra casa. Não gostei do atendimento dele, poderia ter pedido alguns exames.

A noite passou mal de novo, e na manhã do dia seguinte levei direto no hospital. Chegou muito mal, só conseguia ficar deitado. Quando chegamos no pronto socorro, a atendente quando viu o estado que ele estava, na hora já encaminhou ele pra dentro e começaram os exames.

Na sala de espera do pronto socorro tinham poucas pessoas, as que chegavam mal, logo eram atendidas. Aqui eles clasiificam o atendimento por cores, acredito que no Brasil tb é assim. Então, é pela cor que identificam a gravidade, e se vai ter que pagar pelo atendimento ou não.

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Se vc for clasiificado com a cor branca, é porque o seu caso não é tão grave a ponto de ter procurado o hospital (deveria ter procurado o médico de base ou médico de familia), e nesse caso é cobrado. Se não me engano o valor o ticket é em torno de € 30.

O Bruno entrou com o código verde, não pagamos nem 1 centavo.

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Foram 5 dias internado, e todos os exames que faziam davam normais!! Viraram ele do avesso e nada. Passou pelo pronto socorro, depois foi pra uma outra area de observação…depois outra ..depois outra…até colocarem ele em um quarto em uma ala só de doenças infecciosas, pois a febre não baixava nem com remédio. Iniciaram com o antibiótico.

Depois de quase 2 dias ele começou a beber água, pois antes tudo que caía no estômago voltava.

Todo esse tempo foram super atenciosos, hospital limpo e organizado, sempre nos mantendo atualizados do quadro dele. Mesmo sendo hospital público, eu pude ficar no quarto com ele das 09:00 até quase 22:00.

No quarto só dois leitos, banheiro no quarto, ar condicionado e uma tv pra cada um ao lado da cama (mas pra ouvir com um fone, pra não encomodar o companheiro de quarto).

Achamos uma brasileira que trabalhava na cozinha, até escolher a comida ela deixava kkkkkkk Que mimo. (claro que dentro do que ele poderia comer).

Brincadeiras a parte…. mas o susto foi grande, nenhuma mãe gosta de ver filho sofrer! Ele já é magro, e ainda sem poder comer emagreceu mais ainda.

Ao final de tudo, diagnosticaram como GASTROENTERITE.

Ok, menos mal que não foi nada de mais grave. Alta pronta, vamos pra casa. No outro dia pela manhã, recebo uma ligação do responsável da ala que ele ficou, dizendo que saiu o resultado de um último exame que estavam esperando, e ali sim dizia o porque que ele ficou mal.

Encontraram uma bactéria, aquela que se encontra em carnes mal cozidas. Que sirva de alerta pra quem gosta de comer carne mal passada, ou até mesmo crua. Eu não sei como isso aconteceu, pois o Bruno só gosta de comer carne/frango/porco, quase torrado.

O médico disse que agora no verão os casos aumentam, ele (o médico) duas semanas atrás, também tinha ficado mal por conta disso.

Mas tudo bem! Ao menos agora é oficial. Pediram pra voltar no hospital, pois precisavam trocar o antibiótico que estava tomando por esse específico. Não precisamos comprar, o hospital nos forneceu sem custo.

Em geral só não gostei do atendimento do médico de família, poderia ter sido mais atencioso e pelo menos pedido alguns exames, Bruno não conseguia parar em pé.

Em relação ao hospital não tenho do que me queixar, sempre muito atenciosos e prestativos. Fizeram muitos exames até chegar no problema de fato, e melhor ainda, não pagamos nada!

Olha que amor o quadro que achamos no corredor. Pessoas que se trataram alí, deixaram seus agradecimentos aos médicos, enfermeiros, todos que de algum modo passaram pela vida dessas pessoas, das quais foram muito bem atendidas e amparadas na hora que mais precisaram.

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About Vanessa

Olá, tudo bem? Meu nome é Vanessa e criei esse blog para compartilhar com você minhas experiências na Itália. Mas não só isso, vou contar como foi desde o comecinho, quando resolvi por meu nome na lista do consulado, documentação, preparação para a mudança, etc…enfim, desde toda a movimentação ainda no Brasil.
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